Project Walk e Método Dardzinski
O Método Dardzinski começou a ser desenvolvido em 1999 na Califórnia – EUA por Ted Dardzinski, que utilizou exercícios físicos intensos para tentar ajudar um amigo cadeirante com lesão cervical que havia sido desenganado pela medicina e por todas as formas de tratamento. O método consiste na recuperação da lesão medular e é novo e eficaz, tanto que, em um ano, o amigo de Ted saiu da cadeira de rodas.
A notícia se espalhou e outras pessoas com lesão medular, em níveis diversos, entraram em contato com Ted para iniciar o treinamento. Era uma ótima oportunidade para provar se os exercícios elaborados por ele eram eficientes, ou se havia apenas tido sorte com o primeiro aluno. Novamente o método de Dardzinski foi eficaz e fez boa parte deste segundo grupo voltar a caminhar (não necessariamente em apenas um ano).
Desde então, o método tem sido aperfeiçoado em parceria com Universidades e Centros de pesquisa renomados nos Estados Unidos e se tornou uma franquia conhecida internacionalmente por Project Walk.
O que este método tem de especial é a forma de abordar a lesão medular e não existe nada de arriscado, experimental ou de desconhecido nas técnicas utilizadas, pois as modalidades de exercícios utilizadas são também encontradas pela recuperação fisioterapêutica neurológica tradicional. Contudo, no método Dardzinski, essas técnicas foram combinadas, adaptadas e aperfeiçoadas para reorganizar o sistema nervoso após uma lesão medular.
O Método Dardzinski estimula de forma segura e adequada o sistema nervoso para que ele se reorganize e conduza os impulsos nervosos corretamente, ou seja, como eram antes da lesão. Esse é o grande diferencial deste método: ele encontra a forma e a intensidade corretas de fornecer o estímulo de forma eficiente.
As principais diferenças entre a recuperação tradicional e o Método Dardzinski
Na abordagem tradicional para lesão medular, é trabalhada a aceitação e não a esperança: não se fortalece os membros e os músculos afetados, o que acarreta uma perda da densidade óssea e massa muscular; não se trabalham as áreas paralisadas; a duração das sessões de fisioterapia é insuficiente para estimular corretamente o sistema nervoso; utilizam-se medicamentos que interferem na contração muscular e nas sensações, o que acaba por manter o paciente na cadeira de rodas sem fazer descarga de peso; a pessoa é passiva em seu tratamento e fica deitada com equipamentos elétricos conectados aos seus músculos, ou apenas assiste ao fisioterapeuta movimentar seus membros. Resumindo: o objetivo é a não-piora, mas permite o surgimento de encurtamentos e deformidades.
No Método Dardzinski, trabalha-se primariamente a esperança e a não aceitação da perda de função. Muito pouco se sabe sobre o cérebro humano e o sistema nervoso para afirmar com total certeza o que é possível ou não. Entretanto, trabalhando todos os músculos do corpo, com ênfase nos segmentos paralisados (os que mais precisam de estímulos), buscamos a contração muscular para ativar o sistema nervoso e, além disso, recuperar a perda óssea e muscular. Para que esse processo de recuperação ocorra, os alunos do Método Dardzinski não utilizam a cadeira de rodas em seus treinos, pois não queremos que seus corpos se moldem a ela. Outro ponto de destaque do método é o fato dos alunos serem integralmente ativos durante os treinos, estimulando-os a trabalhar por sua recuperação, pois o sistema nervoso não consegue se reorganizar de maneira passiva. Resumindo: o objetivo do método é a superação e a recuperação.
O trabalho com diversas posturas e variedades de movimentos funcionais são pontos que diferenciam o Método Dardzinski dos demais. O programa criado por Ted Dardzinski e utilizado no Caminhar não tem relação com métodos ou ideias tradicionais de como uma pessoa com lesão medular se recupera, justamente por isso os nossos alunos recuperam-se rapidamente, caminham melhor e são mais fortes que seus pares. Isto acontece devido ao estímulo do sistema nervoso, por meio de treinos específicos desenhados para proporcionar a realização de determinadas respostas motoras. Uma vez que certa habilidade é dominada, os programas tornam-se mais complexos e demandam cada vez mais do sistema nervoso.
Muitos dos alunos conseguem, com o método, controlar os músculos abaixo do nível da lesão. No entanto, outros profissionais de saúde afirmam que só conseguiram realizá-los porque a lesão era parcial, fato que não condiz com a realidade, pois muitos iniciam o programa anos depois da lesão, quando a recuperação "espontânea" já deveria ter estagnado; outros haviam sido diagnosticados com lesão total pelos neurologistas após exame de imagem no hospital, mas recuperaram função suficiente para que hoje sejam considerados com lesão parcial.
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